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A desigualdade nas negociações entre os frágeis endividados e seus poderosos credores

17 OUT 2019

Há poucas semanas, soube que um colega buscava quem o emprestasse um valor considerável. Sua intenção era tomar um empréstimo de pessoa física, para cobrir dívidas que tinha com financeiras.

Soube inclusive, que de tão endividado, esse colega já não atendia o celular, com medo de serem seus credores. O curioso é que este colega está empregado, apesar de receber um salário que mal dá para sustentar sua família.

Foram situações como essa de meu colega, que me encorajaram a aprofundar meus estudos sobre educação financeira, ou melhor, sobre a falta dela, principalmente nas classes menos favorecidas da população.

Dos pontos que estudei relativos ao endividamento da sociedade, me chamou a atenção, a injusta negociação travada entre as financeiras e bancos, com seus juros abusivos que beiram a indecência de tão altos, e os endividados, com seus salários reajustados por dissídios, que beiram a indecência de tão baixos.

É uma relação desigual, acompanhada de perto por autoridades reguladoras, que se abstém de ensinar e instruir a população sobre seus direitos e deveres. Outro ente omisso, que poderia ajudar, mas não ajuda a população nesse sentido é o Estado, que se abstém de incluir nas grades curriculares das escolas públicas, matérias de educação financeira e direitos do consumidor.

Podemos incluir na lista de omissos, a mídia de massa (canais de TV e rádio) que mesmo ciente de seu poder de persuasão, prefere disponibilizar programas de culinária ao invés de programas de finanças comportamentais. Nada contra programas de culinária, porém acredito, que um programa de educação financeira, ajudaria aos cozinheiros casuais e profissionais, a terem controle sobre os gastos envolvidos na produção de seus pratos.

Todo esse abandono financeiro cultural, resulta num grande número de pessoas que desconhecem seus direitos e que, consequentemente, são manipulados e ameaçados pelos “donos do dinheiro”. São ameaças que vão desde a tomada de seus poucos bens, até a possível e totalmente improvável prisão dos endividados.

Essas ameaças (muitas vezes, ilegais e infundadas) fazem com que os já combalidos endividados, vivam uma rotina de angustia, que afeta não somente sua saúde financeira, mas também sua saúde física e mental.

Triste é saber, que a maioria esmagadora dos endividados, querem e tentam cumprir seus compromissos financeiros e muitas vezes não o fazem, ou o fazem de forma prejudicial a si mesmos, porque seus credores insistem na cobrança de juros exorbitantes, abusando principalmente, do desconhecimento dos endividados.

Mais triste ainda, é a clareza de que os juros absurdos cobrados pelas instituições financeiras de nosso país, são considerados legais pelas autoridades reguladoras.

É a tenebrosa tática do perde-ganha, que resulta em bancos cada vez mais lucrativos e pobres cada vez mais dependentes desses bancos.

Nesse momento alguns podem estar se perguntando, por que a população, principalmente a de baixa renda, se endivida tanto?

Um dos causadores desse endividamento é exatamente a baixa renda obtida por essa população. Porém existem outros agravantes, como por exemplo, o estímulo exagerado ao consumo, o fácil acesso ao crédito e as taxas de juros abusivas. O conjunto desses fatores contribui demasiadamente para o endividamento de uma sociedade já afetada pelos baixos salários e desemprego.

Não podemos deixar de fora, a falta de acesso à educação financeira, que agrava ainda mais a situação dos endividados.

Mas, apesar do cenário nebuloso para os inadimplentes, ainda existe a esperança de tornar mais justa, a negociação entre quem quer receber e quem pretende pagar as dívidas.

Estão surgindo na Internet, canais de comunicação voltados a educação financeira gratuita, que ensinam desde técnicas de negociação para sanar as dívidas, até o aprendizado dos direitos dos endividados.

A população pode ter acesso a esses canais, fazendo pesquisas nos buscadores da internet digitando palavras como: “educação financeira gratuita”, “como sair das dívidas com técnicas de negociação”, “como conquistar a independência financeira”, “direitos dos inadimplentes”, etc.

É certo que existem canais confiáveis e outros nem tanto. Cabe ao interessado, pesquisar a idoneidade desses canais.

De minha parte ficam algumas sugestões para meu colega endividado, que podem servir para outras pessoas na mesma situação: (1) não faça uma nova dívida para quitar dívidas já existentes, isso só o fará trocar o credor e não a situação. (2) pesquise, aprenda e use seus direitos. (3) negocie de forma justa, principalmente o que for justo para você, que é o lado mais frágil. (4) depois de quitar suas dívidas, continue estudando educação financeira, para nunca mais ter sobressaltos quando tocar o celular.

Fonte: https://www.contabeis.com.br/artigos/5695/a-desigualdade-nas-negociacoes-entre-os-frageis-endividados-e-seus-poderosos-credores/ 

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