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Mercado de capitais trabalha com um cenário positivo para ofertas em 2018.

08 DEZ 2017

Baixa de juros para 7% ao ano pode impulsionar as emissões de títulos privados e de ações no próximo ano, mesmo diante de incertezas no cenário externo e da campanha eleitoral no Brasil.

Mesmo diante de incertezas eleitorais, o mercado de capitais ainda trabalha com um cenário "moderadamente" otimista para 2018 devido à baixa da taxa básica de juros (Selic) para 7% ao ano, ou até abaixo desse patamar (6,75% ao ano), conforme sugerem as projeções revisadas ontem. Em 2017 até o final de novembro, o volume de recursos captados - em bônus externos, renda fixa doméstica e ações - no mercado de capitais havia crescido 44% para R$ 242,2 bilhões na comparação o registrado em igual período do ano passado. As emissões domésticas - debêntures, notas promissórias (+ 217%), certificados de recebíveis e outros títulos privados - somaram R$ 123,8 bilhões; enquanto o lançamento de bônus no mercado externo subiu 33,5% para US$ 27,1 bilhões nesta mesma base de comparação."Essa taxa de juros baixa estimula muito o mercado de capitais para 2018. Em dezembro, vamos ter um volume forte no patamar dos nossos melhores anos [2012 e 2014]", considerou o diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), José Eduardo Laloni. A retomada das operações foi vista na renda variável (+262%). Para o atual mês de dezembro, o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, também acredita que possa ocorrer três ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) e um aumento de capital (follow-on) de uma companhia já listada. "Há ofertas em andamento na CVM que podem acontecer na próxima semana. Mas não posso garantir. Até o último instante há um preço a ser definido. Tudo pode acontecer, o emissor adiar ou retirar a oferta. Mas, ao que parece, tudo está indo bem", respondeu Finkelsztain à imprensa. Se concretizadas, o mercado de capitais poderá fechar o ano com IPOs da BR Distribuidora, Neoenergia e Burger King, além dos 8 já realizados no exercício: Azul, Atacadão (Carrefour Brasil), Biotoscana, Camil, Hermes Pardini, IRB Brasil RE, Ômega e Movida, que juntos já haviam captado R$ 14,2 bilhões em recursos. Há ainda mais três ofertas em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - Algar Telecom, Centauro e Blau Farmacêutica. "Nem todas vão sair em dezembro", diz Laloni. Até novembro, a soma das emissões de ações (IPOs e follow-ons) atingiu R$ 31,7 bilhões, sendo R$ 22,1 bilhões de distribuição primária, e outros R$ 9,6 bilhões de secundária. Ou seja, 69,7% das emissões foram para reforçar o caixa das empresas ou para investimentos, e a diferença para remunerar sócios mais antigos, a venda de uma fatia do negócio.Sobre o mercado externo, o diretor da Anbima comentou que o ambiente internacional favoreceu países emergentes como o Brasil. "É um mercado pequeno ainda, o País emite pouco. Está mais concentrado em exportadoras - que tem um hedge natural - e bancos", diz. Entre os grandes nomes que conseguiram acessar o mercado internacional em 2017 estão: Azul, Banco do Brasil, BNDES, Braskem, Cosan, Embraer, Fibria, Gerdau, Globo, JSL, Klabin, Marfrig, Minerva, Petrobras, Raízen, Rumo, Suzano, Vale e Votorantim. O diretor da Anbima fez questão de destacar o crescimento das debêntures de infraestrutura (+124%) para o montante de R$ 7,8 bilhões até novembro. "A presença da pessoa física aumentou para 38,8%. E o número de ofertas cresceu de 20 para 32", comentou José Eduardo Laloni.

Recorde em fundos

O vice-presidente da Anbima, Carlos Ambrósio, também sinalizou ontem que a captação líquida de fundos de investimentos deverá fechar o exercício como recorde. Até o final de novembro, o volume de aportes somava R$ 232 bilhões nas diversas categorias. "A captação em previdência privada neste mês de dezembro deve colaborar para a manutenção desse recorde, o maior número da série histórica (iniciada em 2002), afirmou Ambrósio. Segundo o vice-presidente, os cotistas do private (milionários) e do varejo contribuíram com a maior parte da captação até outubro. "O destaque foram os multimercados", disse Ambrósio aos jornalistas.

Fonte:Fonte: DCI - SP - Por: Ernani Fagundes

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